Os brasileiros acompanham a disparada do preço dos combustíveis ao mesmo tempo que a moeda brasileira tem se valorizado frente ao dólar, fazendo com que a cotação da moeda americana caísse cerca de 16% em 2022.

O último levantamento de preços realizado pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) mostrou que o litro da gasolina comum pode ser encontrada por até R$ 8,949 no país.

Mas, afinal, se o dólar está em queda, por que o preço do combustível, que está associado à moeda americana, também não cai?

Petrobras pressionada

Após mais um aumento no preço dos combustíveis anunciado no começo de março por Joaquim Silva e Luna, o general foi avisado por Jair Bolsonaro que não continuaria no comando da Petrobras (PETR3PETR4) na segunda-feira (29).

Logo em seguida, o Ministério de Minas e Energia anunciou o economista Adriano Pires como próximo presidente da companhia.

Devido ao conflito entre Rússia e Ucrânia, grandes produtores e distribuidores de petróleo, que desencadeou uma esteira de ganhos nas cotações do petróleo no mercado internacional, a Petrobras se viu pressionada a repassar os preços aos consumidores.

Segundo a petrolífera, o reajuste foi necessário para garantir o abastecimento do mercado, uma vez que não garante todo o suprimento, que depende de importações.

A empresa ainda disse que o movimento segue o “mesmo sentido de outros fornecedores de combustíveis no Brasil que promoveram ajustes nos seus preços de venda”.

O novo presidente assume o comando da estatal para colocar à prova sua fórmula para conter os reajustes dos combustíveis.

Dólar: Ladeira abaixo

Quem segue um movimento contrário à disparada do combustível é o dólar. A moeda americana já é cotada abaixo dos R$ 5 e registra uma de suas mínimas mais relevantes nos últimos dois anos.

Em 2022, o real foi a moeda que mais se valorizou, entre as 38 acompanhadas pelo FMI. Tal força tem relação à alta da taxa de juros do Brasil, que já se aproxima dos 12% e é uma das maiores do mundo, explica o economista da FGV Joelson Sampaio.

Sampaio explica que a elevação da Selic atrai investidores internacionais, o que colabora na valorização do real.

“Além disso, a guerra entre Rússia e Ucrânia, países que atraiam investimentos externos, afastou tais investidores e passou essa atratividade para o Brasil”, completa.

Mas, apesar da valorização do real, a queda da moeda americana não compensa os preços internacionais do petróleo e, consequentemente, não segura a alta dos combustíveis, afirma Sampaio da FGV.

Dólar em queda não segura alta dos combustíveis

O economista da FGV explica que, apesar da valorização do real, a política internacional de valores da Petrobras faz com que os preços dos combustíveis sigam a disparada da cotação dos barris de petróleo.

Desde 2016, a Petrobras faz seus cálculos levando em conta a precificação dos combustíveis no mercado internacional, o Preço de Paridade de Importação (PPI).

Ou seja, o petróleo nas refinarias tem seu preço definido com base nas cotações internacionais, mais os custos da internação do produto, como taxas portuárias e transporte, e margens de remuneração de riscos.

Às vésperas do último reajuste dos combustíveis nas refinarias da Petrobras, o barril da commodity do tipo Brent superou US$ 120, ultrapassando sua máxima vista pela última vez há 14 anos.

Juliana Inhasz, economista do Insper, ainda diz que se trata de uma “queda de braços”.

“O petróleo que consumimos hoje foi comprado com contratos firmados há algum tempo, quando a taxa de câmbio ainda estava muito alta”, explica.

Inhasz ainda ressalta que o mercado de petróleo não acontece à vista, mas sim pela entrega futura.

“Esse efeito de queda só vai ser sentido quando um petróleo mais barato, seja pela taxa de câmbio ou pela oferta mais favoráveis, chegar ao Brasil”, diz.

Sampaio ainda destaca que, se o dólar não estivesse em queda, o efeito nos preços dos combustíveis seria ainda pior. Os economistas da FGV e do Insper dizem que tal disparada de preços deve continuar no radar dos investidores, pois, com os desdobramentos da guerra, possíveis altas do câmbio e do barril do petróleo a situação pode se agravar.

Medidas da Petrobras serão eficazes?

O economista da FGV diz que, apesar das medidas do governo para conter os reajustes dos combustíveis da Petrobras, as escolhas têm efeitos colaterais.

“O governo pode ajudar de forma indireta ou direta a segurar o aumento dos combustíveis, mas isso irá afetar as questões fiscais”, diz Sampaio.

O economista ainda afirma que o ajustes do governo podem ter efeitos, “porém pequenos”.

 

Fonte: Valêncio Consultoria

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